A América Latina passa por uma transformação acelerada no perfil da população, com mudanças que devem impactar diretamente a economia […]

América Latina envelhece rápido e pressiona economia
A América Latina passa por uma transformação acelerada no perfil da população, com mudanças que devem impactar diretamente a economia nas próximas décadas. O que levou cerca de 75 anos para acontecer na Europa deve se consolidar em apenas 30 anos na região.
Dados mostram uma mudança significativa: a expectativa de vida saltou de 48 anos, em 1950, para 75 anos atualmente. Ao mesmo tempo, a taxa de fertilidade caiu de 6 filhos por mulher para 1,85 — abaixo do nível necessário para reposição populacional, estimado em 2,1.
A projeção indica que, até 2050, a população com mais de 65 anos deve dobrar, representando quase 19% dos habitantes da América Latina.
Esse cenário marca o fim do chamado “bônus demográfico”, período em que há mais pessoas em idade de trabalhar do que dependentes. Com isso, a região passa a enfrentar o desafio de envelhecer antes de atingir maior nível de riqueza.
Na prática, os impactos já começam a se desenhar. Um deles é a pressão sobre os sistemas de Previdência, que tendem a se tornar insustentáveis sem ajustes, diante da redução no número de contribuintes.
Outro ponto é o mercado de trabalho. A diminuição da população jovem deve exigir aumento da produtividade e maior uso de tecnologia para manter o crescimento econômico.
Por outro lado, o envelhecimento também abre novas oportunidades. O crescimento da população idosa impulsiona a chamada “economia prateada”, com demanda por serviços de saúde, lazer e soluções tecnológicas voltadas à terceira idade. No Brasil, esse mercado já movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano.
