Arqueólogos identificaram uma descoberta intrigante sob as areias do leste do Sudão: 260 túmulos coletivos até então desconhecidos, espalhados por […]

Descoberta no deserto revela 260 valas comuns com padrão assustador
Arqueólogos identificaram uma descoberta intrigante sob as areias do leste do Sudão: 260 túmulos coletivos até então desconhecidos, espalhados por quase 1.000 quilômetros no deserto de Atbai, a leste do rio Nilo. O achado chama atenção não apenas pela quantidade de sepultamentos, mas pela forma como todos parecem seguir uma lógica muito parecida, repetida ao longo de uma imensa área desértica.
Esses locais são conhecidos como sepultamentos em recintos. Cada um deles possui uma grande estrutura circular, delimitada por muros de pedra ou terra, algumas com até 80 metros de diâmetro.
Dentro desses círculos, ossos humanos e de animais foram cuidadosamente posicionados. No centro, porém, havia sempre uma figura principal, aparentemente alguém de grande importância. Ao redor dela, eram enterradas outras pessoas e animais, como se todos fizessem parte de uma cerimônia organizada em torno de um personagem central.
Os túmulos teriam cerca de 6.000 anos e datam de aproximadamente 4000 a.C. a 3000 a.C., antes mesmo do florescimento do Egito faraônico. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade Macquarie, da unidade francesa HiSoMA e da Academia Polonesa de Ciências.
Curiosamente, eles não chegaram aos locais com escavações tradicionais no início, mas por meio de imagens de satélite, analisando o deserto de cima em um longo trabalho de sensoriamento remoto.
Uma elite enterrada no centro
O detalhe mais marcante desses sepultamentos é a repetição do padrão. Não se tratava de casos isolados ou de rituais improvisados. A presença de uma pessoa no centro, cercada por outros corpos e por restos de animais, sugere uma organização social bem definida. Para os pesquisadores, isso pode indicar o surgimento de uma elite entre grupos nômades do Saara.
Em um ambiente árido e cada vez mais difícil, possuir um grande rebanho provavelmente era um sinal poderoso de status. Os pesquisadores comparam essa posição social a uma espécie de símbolo máximo de riqueza no mundo pré-histórico. Assim, quando uma pessoa importante morria, seus animais também podiam acompanhá-la no túmulo, como parte de uma despedida solene.
O fim de uma cultura do deserto
A descoberta também ajuda a contar a história de um Saara muito diferente do atual. Há milhares de anos, durante o chamado Período Úmido Africano, partes da região eram mais verdes, com condições melhores para a vida de pastores e seus animais. Com o passar do tempo, porém, o clima mudou. O deserto avançou, a vegetação diminuiu e manter grandes rebanhos se tornou cada vez mais difícil.
O problema é que muitos desses locais agora correm risco. A mineração sem controle na região ameaça destruir estruturas que resistiram por cerca de 6.000 anos. Monumentos que atravessaram eras de calor, areia e silêncio podem desaparecer em poucos dias, apagando pistas raras sobre povos que viveram antes dos grandes reinos do Nilo.
(*)Fonte: Mistérios do Mundo
