Ainda não existe, no Brasil, um protocolo oficial para devolver felinos selvagens — como a onça-pintada — ao seu habitat […]

Veterinária esclarece: será que as onças que vivem no CIGS podem voltar à natureza?
Ainda não existe, no Brasil, um protocolo oficial para devolver felinos selvagens — como a onça-pintada — ao seu habitat natural.
Quem visita o Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) pode se perguntar: será possível que essas onças voltem a viver livres na floresta? A veterinária especialista em manejo de animais silvestres, tenente Evely Moreira, conversou com o Portal Amazônia e apontou os principais desafios dessa reintrodução.
Os grandes obstáculos para a soltura
Para Evely, as barreiras são muitas. Até agora, apenas uma reintrodução desse tipo ocorreu na Amazônia — em 2024, no Pará — o que demonstra o quão recente e raro é esse tipo de ação.
Não há um protocolo oficial no país para reintroduzir felinos selvagens, embora a legislação ambiental já exija que o animal retorne ao mesmo bioma de onde foi capturado. Contudo, essa devolução deve obedecer a critérios rigorosos de segurança.
Segundo a veterinária, o animal precisa ser monitorado por um tempo, e sobretudo, deve demonstrar medo de humanos — resistir a convívio ou aproximação. Isso protege tanto as pessoas quanto o próprio animal.
E as onças do CIGS?
No caso das onças mantidas no CIGS, a reintrodução não é considerada viável. Esses animais já estão acostumados ao convívio humano, e alguns têm doenças crônicas que os tornam inaproveitáveis para serem liberados.
Mesmo assim, o zoológico desempenha um papel importante na conservação. A supervisão contínua dos animais sob cuidado é essencial, e deve estar alinhada com órgãos ambientais como o IBAMA e o ICMBio.
Um panorama sobre as onças-pintadas
A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas: pode alcançar até 2,41 metros de comprimento (focinho à ponta da cauda) e pesar até 158 kg em machos adultos — que costumam ser maiores que as fêmeas.
Sua dieta é variada — já foram observadas mais de 85 espécies de presas, incluindo mamíferos (como capivaras), répteis (como jacarés e sucuris) e aves (como araras). Embora prefira animais maiores (como antas e suínos), isso depende da disponibilidade: viver em áreas fragmentadas exige aceitar presas menores.
Historicamente presente em todos os biomas brasileiros (Amazônia, Pantanal, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Pampa), hoje a espécie está muito ameaçada em muitos deles. Na Mata Atlântica e na Caatinga, por exemplo, corre risco de extinção, e já é considerada extinta nos Pampas brasileiros.
Atualmente, as populações mais expressivas em vida livre estão na Amazônia e no Pantanal. A IUCN classifica a onça-pintada como “Quase Ameaçada”. As maiores ameaças são o desmatamento (para pecuária ou agricultura) e a caça — motivada, em parte, por conflitos com criadores de gado.
(*) Fonte: Portal Amazônia
