Já faz um tempinho que os dados sobre geração de emprego mostram uma queda persistente no nível de contratação para […]

Para quem o nível de emprego realmente cresce?

Já faz um tempinho que os dados sobre geração de emprego mostram uma queda persistente no nível de contratação para cargos e funções exercidas por trabalhadores menos qualificados. Infelizmente, esse parece ser um fato irreversível na nova economia para inúmeras profissões e funções, cuja execução de tarefas repetitivas, insalubres, alienantes e degradantes passa a ser exercida por sistemas automatizados e afins.

Para os trabalhadores intermediários, com alguma qualificação, o mercado parece ainda estar estabilizado, com crescimento pequeno em termos de contratação – próximo de 1% do total das admissões. Porém, o problema desse setor, é que existe uma oferta gigantesca de pessoas  que literalmente se situam na zona da semi-qualificação que, pela alta disponibilidade de oferta de trabalhadores, dificulta a possibilidade de aumento de salários em termos reais e ainda diminui a garantia da perspectiva de emprego no longo prazo, tornando o ciclo de emprego altamente rotativo, contribuindo para a diminuição das condições profissionais que podem conferir alguma vantagem em relação a outros trabalhadores em condições semelhantes.

Nesse cenário, como já é sabido por todos nós, a oferta de emprego e o aumentos real no nível de salários e benefícios têm crescido acima da média apenas para os profissionais percebidos como mais qualificados, em vários setores da economia tradicional e em áreas que começaram a se expandir recentemente, como serviços financeiros virtuais, robótica simplificada e em várias áreas de gestão.

Antes que alguém pergunte, a resposta para essa questão se resume ao fato de estarmos verdadeiramente entrando em uma nova dimensão econômica, onde imensas cadeias de produção, de distribuição e de disponibilização de serviços conjugados começam a massificar o uso de tecnologias lógicas e de inteligência artificial que pensam, trabalham, comunicam-se e decidem por si mesmas sobre o que fazer, como fazer, quando fazer e onde fazer, deixando para nós, humanos de verdade, trabalhos, serviços e funções que exigem muito mais do que diplomas, experiência e capacidade de processamento de ordens e de instruções manualizadas; exigem, principalmente, capacidade de raciocínio, de relacionamento, de contextualização, de simbolização e de idealização intelectual, além da capacidade prática de interação com os mesmos sistemas que estão eliminando centenas de milhares de empregos.

*Texto escrito por José Walmir

José Walmir
José Walmir Monteiro da Silva é escritor, professor e economista – Foto: Divulgação

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