O sonho de seguir carreira na medicina e alcançar salários muito acima da média nacional — que chegaram a cerca […]

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Excesso de médicos pressiona mercado e dificulta início de carreira no Brasil

O sonho de seguir carreira na medicina e alcançar salários muito acima da média nacional — que chegaram a cerca de R$ 36,8 mil contra R$ 3,3 mil do brasileiro em 2022 — tem se tornado mais desafiador para recém-formados. Só em 2025, o país registrou a entrada de quase 36 mil novos profissionais, o maior crescimento da história, elevando o total para mais de 635 mil médicos, o equivalente a quase três por mil habitantes. O avanço, no entanto, não foi acompanhado pela abertura de vagas no mercado.

Com a alta concentração de profissionais, especialmente nas grandes cidades, a concorrência por plantões se intensificou. Recém-formados disputam oportunidades em grupos de mensagens, muitas vezes com respostas rápidas para garantir vagas. Esse cenário é agravado por dois fatores principais: a preferência por atuar nas capitais, o que aumenta a saturação, e a expansão acelerada de cursos de medicina — que mais que triplicaram, nem sempre com qualidade. Em 2025, quase um terço dessas graduações recebeu avaliação insatisfatória.

Outro gargalo está na residência médica. Enquanto o número de estudantes cresceu 71% nos últimos anos, as vagas de especialização avançaram apenas 26%. Sem essa etapa, considerada essencial para melhores oportunidades, muitos profissionais enfrentam ainda mais dificuldades para se inserir no mercado.

O resultado é um efeito em cadeia: maior disputa por vagas, formação desigual e obstáculos para a especialização, o que pode impactar diretamente a qualidade do atendimento no país. A tendência é de agravamento desse cenário, com projeções indicando que o Brasil pode alcançar cerca de 1,15 milhão de médicos até 2035.

(*)Baseado em reportagem de The News

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