MANAUS – Um incêndio de grandes proporções consome, há mais de 20 horas, a fábrica da Effa Motors, localizada na […]

(Foto: Rickardo Marques – GDC)

Wilson Lima ignora crise em incêndio que dura mais de 20h

MANAUS – Um incêndio de grandes proporções consome, há mais de 20 horas, a fábrica da Effa Motors, localizada na Rua Azaleia, no Distrito Industrial de Manaus. O fogo, que avança sem controle desde a manhã de terça-feira (5), revelou de forma contundente a fragilidade da estrutura estadual de combate a emergências e acendeu um alerta sobre a ausência de medidas preventivas eficazes por parte do Governo do Amazonas.

O cenário caótico não se resume à perda de patrimônio: trabalhadores, comunidades vizinhas e os próprios agentes de segurança enfrentam riscos reais em meio ao que já se configura como uma calamidade pública. A resposta lenta e desestruturada evidencia que o Estado não está preparado para lidar com sinistros dessa magnitude, deixando a população à mercê da sorte – ou da chuva, cuja chegada é agora ansiosamente aguardada como esperança para conter as chamas.

O subcomandante do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amazonas (CBMAM), coronel Heliton, afirmou em coletiva nesta quarta-feira (6) que os bombeiros utilizam água e Líquido Gerador de Espuma (LGE) no combate, mas admitiu que a corporação não possui recursos suficientes para o tamanho da operação. “Trata-se de uma enorme quantidade de material, então precisa de uma enorme quantidade de recurso”, disse.

A gravidade do caso se intensifica frente à omissão das autoridades. Até o momento, o governador Wilson Lima não se pronunciou oficialmente ou anunciou qualquer ação de apoio. O silêncio do poder público gerou revolta e mobilizou a população civil: um grupo de motociclistas organizou uma corrente de solidariedade para levar água e alimentos aos bombeiros. Impedidos de entrar na área inicialmente, os mototaxistas realizaram uma manifestação e, após pressão, conseguiram autorização para entregar os suprimentos.

A situação é ainda mais crítica considerando o contexto recente: na noite de quarta-feira (5), outro incêndio, em um box comercial no bairro Campos Sales, zona oeste de Manaus, foi controlado por policiais militares – mais uma evidência da ausência de um sistema eficiente e especializado de resposta a emergências no estado.

O Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) isolou completamente a área do sinistro, autorizando apenas a entrada de viaturas do CBMAM. A restrição de acesso também atingiu a imprensa, levantando suspeitas de que o bloqueio possa ter como objetivo ocultar a precariedade das ações governamentais no local.

A informação inicial do CBMAM era de que não havia vítimas. No entanto, o Complexo Hospitalar Sul divulgou nota confirmando a internação da trabalhadora Letícia Gomes, grávida de dois meses, com queimaduras de segundo e terceiro graus no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital 28 de Agosto. A contradição gerou desconfiança sobre a real dimensão da tragédia e reforça a crítica à falta de transparência das autoridades.

Enquanto isso, o Estado, que anualmente declara situação de calamidade por conta das cheias, mostra-se despreparado para lidar com outro tipo de desastre: os incêndios de grande escala. A ausência de políticas preventivas, de estrutura adequada e de comunicação eficiente transforma eventos como esse em tragédias anunciadas.

No Brasil, o combate a incêndios dessa magnitude depende de estratégias integradas de prevenção, alertas rápidos e equipamentos adequados. Brigadas treinadas, campanhas de conscientização e protocolos bem definidos são essenciais para mitigar riscos. No entanto, no Amazonas, o que se vê é um ciclo de improviso e descaso que cobra um alto preço social, ambiental e humano.

(*) Com informações: D24Am

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