Manaus – Um vídeo que circulou nas redes sociais neste fim de semana gerou grande repercussão ao mostrar uma suposta […]

Foto: Reprodução

Vídeo de suposta agressão em Manaus repercute nas redes, mas mulher nega ter sido agredida

Manaus – Um vídeo que circulou nas redes sociais neste fim de semana gerou grande repercussão ao mostrar uma suposta cena de violência doméstica praticada por um homem contra uma mulher com um bebê no colo, em uma residência no Amazonas. Nas imagens gravadas por uma terceira pessoa presente na casa, é possível ouvir gritos, xingamentos e barulhos de pancadas. A mulher aparece chorando, visivelmente abalada, sentada no chão, após o bebê ser retirado de seus braços.

No entanto, neste domingo (4), a mulher envolvida na situação divulgou um novo vídeo em suas redes sociais para esclarecer o ocorrido. De forma firme, ela negou ter sido agredida.

“Em nenhum momento teve agressão, em nenhum momento ele me agrediu. No momento em que estou sentada no chão, eu mesma me sentei”, afirmou na gravação.

Apesar das imagens que sugerem um ambiente de tensão e possível violência, ela insistiu que não houve agressão por parte do companheiro. O episódio levanta novamente o alerta sobre a complexidade dos casos de violência doméstica, especialmente aqueles que envolvem relações afetivas e fatores como o medo, a dependência emocional e econômica ou até mesmo o ciclo de repetição do abuso.

Violência doméstica no Brasil

Segundo o artigo 5º da Lei Maria da Penha, configura-se violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico, além de danos morais ou patrimoniais.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil já ocupava, em 2013, a quinta posição entre os 83 países que mais matam mulheres, com uma taxa de 4,8 homicídios para cada 100 mil mulheres — sendo quase 30% dos crimes cometidos dentro de casa.

Outros estudos reforçam a gravidade do problema. A Fundação Perseu Abramo revelou que, a cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas no país. A pesquisa do DataSenado, também de 2013, mostrou que uma em cada cinco brasileiras admitiu já ter sido vítima de violência doméstica praticada por um homem.

Além da brutalidade dos números, chama atenção o chamado “ciclo da violência”, que se repete em três fases: aumento da tensão, explosão (ato violento) e reconciliação — conhecida como “lua de mel”. Nesses ciclos, as mulheres podem sofrer diversos tipos de agressão, como violência física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial, muitas vezes de forma simultânea.

A denúncia e o acolhimento são passos essenciais para romper com esse ciclo. Mesmo em casos em que a vítima negue a agressão, é importante que as autoridades estejam atentas e que a sociedade continue promovendo a conscientização e o combate à violência de gênero.

 

Deixe um comentário