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Trecho ‘trafegável’ da BR-319 tem áreas interditadas e passagem cedendo

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Mesmo com um contrato ativo de R$ 62 milhões para manutenção dos 100 primeiros quilômetros da BR-319 (Manaus – Porto Velho), o trecho chamado de ‘Segmento A’ (km 0 ao km 177) acumula uma série de áreas interditadas e até uma ‘passagem suspensa’ em processo de erosão. A equipe de A CRÍTICA percorreu esse trecho da rodovia na semana passada e registrou a má conservação do local.

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Esta reportagem é a segunda da série ‘Um Ano de Dor: A Queda da Ponte na BR-319’, que reúne informações sobre o atual cenário da rodovia 12 meses após o desabamento da ponte sobre o Rio Curuçá. A tragédia causou a morte de cinco pessoas e deixou dezenas de feridos. Segundo matéria exclusiva de A CRÍTICA, publicada no sábado, a Polícia Civil deve indiciar ao menos dez pessoas pelo desastre.

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A BR-319 inicia no Município de Careiro da Várzea (a 19 quilômetros de Manaus) e chega até  Careiro Castanho nos seus 100 primeiros quilômetros, de um total 885 quilômetros. Além disso, neste trecho, dá acesso aos municípios de Autazes e Manaquiri. Nos quatro municípios vivem 109 mil pessoas, segundo o novo censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Mesmo com esse universo populacional que depende da rodovia, saltam aos olhos buracos e rachaduras ao longo da estrada. O cenário afeta tudo, desde o preço das mercadorias transportadas pela BR-319 até o trânsito de pessoas doentes.

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 Dificuldades

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 O motorista de ambulância Luiz Ribeiro, que trafega diariamente na pista, diz que a BR-319 “piorou 100%” depois da queda das pontes no ano passado. “Sempre morei aqui e piorou muito depois da queda das pontes. Fica até difícil para fazer o trabalho de transporte com a ambulância”, disse ele.

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Um taxista que preferiu não se identificar disse que a degradação da estrada propicia, inclusive, acidentes. “Um dia desses capotou um carro de transportes que faz linha para Autazes. Não sei se estava com passageiros, mas capotou”, afirmou o motorista.

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 Passagem

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 Além dos trechos esburacados ou sem asfalto, exatamente na divisa entre os municípios de Careiro Castanho e Careiro da Várzea (foto ao lado), A CRÍTICA registrou uma passagem suspensa com erosão do solo nos dois lados da pista. Na parte de baixo, passa um igarapé.

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Esse é o mesmo local onde uma reportagem do G1 Amazonas já havia identificado erosão do solo em 2021, no mês seguinte à queda da primeira ponte na BR-319. Dois anos depois, a área continua sofrendo forte degradação, aumentando o risco de acidentes.

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Presidente da Associação dos Amigos e Defensores da BR-319, André Marsílio diz que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) sempre esteve atento ao trabalho de manutenção deste trecho inicial da BR-319, mas o cenário piorou nos últimos anos.

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“Desse trecho dos primeiros cinquenta quilômetros sempre houve algumas erosões dos lados das cabeceiras, mas o Dnit sempre esteve atento a isso. Porém, nos últimos três anos tem deixado a desejar  nessa questão da manutenção e no acompanhamento desse trecho que sofre por ser uma área de várzea”, diz ele.

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 Manutenção será feita em outubro

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Em nota para esta reportagem, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que a recuperação de pontos de erosões entre o km 0 e 114,2 da BR-319 deve acontecer em outubro. Questionado, o órgão não retornou ao pedido para saber o que  motiva o início do trabalho apenas no próximo mês.

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 “O DNIT informa que a recuperação de pontos de erosões foi realizada entre o km 114,2 e o km 178,5 da rodovia BR-319/AM. A recuperação dos pontos de erosões entre os km 0,0 e 114,2 da referida rodovia tem a programação de execução prevista para o mês de outubro”, diz o teor completo do posicionamento.nnDurante a passagem da equipe de A CRÍTICA pelos 100 primeiros quilômetros da estrada federal, não houve registro de qualquer trabalho de manutenção. Os únicos locais com trabalhadores eram os dois trechos onde as duas pontes caíram no ano passado (sobre o Rio Curuçá e Rio Autaz-Mirim), nos km 24 e 25 da BR-319.

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Na semana passada, o Dnit já havia informado à reportagem que foram empenhados R$ 24,8 milhões para a reconstrução da ponte Curuçá e R$ 18,9 milhões  para Autaz-Mirim.

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 Contrato ativo

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 Em busca no Portal da Transparência do  governo federal, a reportagem identificou que existe um contrato ativo com valor final de R$ 62 milhões para manutenção dos primeiros 114 quilômetros da BR-319. O termo foi assinado em 21 de setembro de 2022 e terá vigência até 6 de novembro de 2024.

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A empresa contratada é a LCM Construção e Comércio, sediada em Belo Horizonte. De acordo com a descrição do serviço, o trabalho é de “manutenção (conservação/recuperação) na rodovia BR-319”, na área de entroncamento com a BR-174, em Manaus, até o km 114.

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A CRÍTICA tentou entrevistar um representante da empresa, mas não houve retorno até o fechamento desta reportagem. Segundo a assessoria jurídica da construtora, o engenheiro responsável pela obra procuraria a reportagem. O espaço continua aberto para manifestações.

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Os primeiros 100 quilômetros da BR-319 já têm histórico de problemas em contratos para manutenção. No ano passado, a empresa AGO Engenharia, antes responsável pelo trabalho, foi multada pelo Dnit em R$ 7 milhões por “inexecução parcial do contrato” referente ao mesmo trecho.

nFonte: A Críticann

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