Se você abriu as redes sociais nas últimas semanas, provavelmente se deparou com um novo termo: polilaminina. O assunto viralizou […]

(Imagem: Agência o Globo)

Tatiana Sampaio: Ela está tirando pessoas da cadeira de rodas

Se você abriu as redes sociais nas últimas semanas, provavelmente se deparou com um novo termo: polilaminina. O assunto viralizou após relatos de recuperação motora em testes clínicos com pessoas que haviam perdido os movimentos.

A descoberta é resultado de mais de 30 anos de pesquisa da neurobióloga Tatiana Sampaio, professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A cientista desenvolveu uma forma de reorganizar uma proteína já existente no corpo humano para que ela funcione como um “andaime biológico”, capaz de auxiliar na reconstrução de conexões nervosas.

Em entrevista especial no Dia Internacional da Mulher, Tatiana contou que os primeiros sinais de recuperação em pacientes ainda são momentos marcantes. Segundo ela, normalmente cerca de uma semana após o procedimento alguns pacientes começam a apresentar movimentos sutis nos braços ou pernas, indicando que algo está mudando.

Um dos episódios mais impactantes, segundo a pesquisadora, foi o caso de Bruno, o primeiro paciente a apresentar recuperação completa. Ela recebeu pelo celular um vídeo em que ele mexia o dedo do pé, seguido de uma foto do recibo da devolução da cadeira de rodas enviada pelo pai do jovem.

Tatiana explica que a confirmação científica de uma descoberta não acontece em um único momento. Para ela, o processo é gradual, construído a partir da repetição de experimentos e da análise dos resultados em diferentes etapas, que envolvem estudos com células, animais e, posteriormente, humanos.

Apesar do avanço, a cientista afirma que ainda mantém cautela. Segundo ela, a segurança sobre a eficácia do tratamento vem da soma das evidências acumuladas ao longo dos anos de pesquisa.

A pesquisadora acredita que, se os estudos continuarem apresentando bons resultados, a polilaminina poderá transformar o tratamento de lesões medulares. No futuro, hospitais poderiam utilizar a proteína logo após acidentes, acelerando cirurgias e ampliando as chances de recuperação dos pacientes.

Atualmente, muitos procedimentos ainda são adiados por questões logísticas, o que pode prejudicar a recuperação, já que o dano causado por lesões na medula tende a evoluir com o tempo.

Tatiana destaca que a trajetória científica é marcada por tentativas e erros. Mesmo após décadas de pesquisa, ela conta que ainda sente ansiedade ao aguardar o resultado de um experimento — sensação comum para quem trabalha na área.

A inspiração também surge dentro do próprio laboratório. A cientista cita o caso de uma aluna, Carla, que decidiu estudar lesões medulares após sofrer um grave acidente de carro quando jovem. Ao se recuperar sem sequelas, ela escolheu dedicar a carreira a ajudar pessoas que não tiveram a mesma sorte.

Ao falar sobre o futuro da ciência no Brasil, Tatiana deixa uma mensagem especialmente para meninas interessadas na área: apesar das frustrações inevitáveis da pesquisa, a carreira científica oferece liberdade, descobertas constantes e espaço para grandes contribuições. Segundo ela, as mulheres têm muito a acrescentar ao avanço da ciência.

(*)Fonte: The News

Deixe um comentário