Por: Sid Sheldowt Nos últimos anos, teorias sobre o fim do mundo têm ressurgido com força, combinando crenças religiosas, avanços […]

CC0 / Pixabay - Apocalipse

Sombras do Apocalipse na era digital e as novas profecias do caos

Por: Sid Sheldowt

Nos últimos anos, teorias sobre o fim do mundo têm ressurgido com força, combinando crenças religiosas, avanços tecnológicos e incertezas políticas em narrativas que evocam o anticristo e o colapso da civilização. O medo do apocalipse deixou de ser apenas um tema bíblico e passou a ocupar espaço em debates sobre inteligência artificial, mudanças climáticas e crises institucionais.

Uma investigação recente do The Guardian destaca o surgimento de movimentos descritos como “fascismo do fim dos tempos”, que misturam nacionalismo, fundamentalismo religioso e ideias apocalípticas. Grupos influentes estariam promovendo a ideia de “cidades da liberdade” — refúgios tecnológicos exclusivos para enfrentar o que enxergam como o colapso inevitável da sociedade. Para eles, a ideia de um mundo à beira do fim justifica a criação de bolhas seguras, enquanto o restante da humanidade enfrentaria pandemias, escassez e instabilidade social.

Especialistas apontam que a figura do anticristo ganhou novos contornos. Para alguns teólogos, a imagem tradicional de um líder político maligno deu lugar a interpretações mais complexas, que vão desde alianças militares no Oriente Médio até o surgimento de inteligências artificiais avançadas. Há quem levante a hipótese de que uma IA superinteligente e autoconsciente possa reivindicar autoridade divina, manipulando massas e promovendo um tipo de controle total — um paralelo moderno ao “engano final” descrito em textos sagrados.

Em ambientes digitais, como grupos no Telegram, essas ideias se entrelaçam com esoterismo, teorias da nova ordem mundial e rejeição à ciência institucionalizada. Ferramentas de pagamento eletrônico com identificação biométrica são vistas, por alguns, como indícios do “sinal da besta”, e projetos globais de reestruturação econômica — como o chamado “Great Reset” — alimentam especulações sobre um futuro sem liberdade individual.

Mesmo que baseadas em interpretações extremas, essas narrativas refletem ansiedades reais do nosso tempo: o avanço descontrolado da tecnologia, o agravamento da crise climática e o sentimento de desamparo diante de instituições que parecem distantes. O apocalipse, nesse contexto, deixa de ser uma profecia distante para se tornar uma lente através da qual muitos passam a enxergar o presente.

*Sid Sheldowt é Escritor, poeta e compositor

**Os textos (artigos, crônicas) aqui publicados não refletem necessariamente a opinião da Div Agência de Comunicação – Portal do Minuto.

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