Enquanto o trabalhador comum sua a camisa de segunda a sábado para garantir o básico no final do mês, o […]

(Foto: Divulgação/Dircom)

Sessão Ordinária da Ausência: Um retrato da falta de compromisso legislativo

Enquanto o trabalhador comum sua a camisa de segunda a sábado para garantir o básico no final do mês, o Parlamento Municipal de Manaus segue num ritmo próprio, onde a pontualidade e a presença parecem figurar na lista de “opcionais de luxo”. Em apenas três meses, foram 94 faltas em 32 sessões. Sim, você leu certo: noventa e quatro. Quase uma centena de cadeiras vazias, discursos ausentes e votos que nunca aconteceram. Mas calma, dessas faltas todas, só 8 resultaram em desconto. O resto? Justificadíssimo, claro. Afinal, o regimento interno é uma espécie de guarda-chuva que cabe qualquer desculpa – de luto legítimo a reuniões misteriosas em Brasília e, por que não, talvez até uma volta de motocross para desestressar.

O prejuízo? Quase R$ 172,5 mil que poderiam ter voltado aos cofres públicos se todas as ausências fossem tratadas com a mesma rigidez que um atraso de servidor concursado. Mas a cultura da autocompreensão entre os nobres parlamentares é forte. Um falta aqui, o outro ali, todos se entendem. Existe uma espécie de pacto silencioso de proteção mútua, onde até a oposição parece fazer vista grossa. Uma mão lava a outra, e ambas lavam as ausências.

Enquanto isso, o cidadão, que enfrentaria advertência, desconto no salário ou até demissão por menos que isso, assiste de longe à Sessão Ordinária da Ausência, como quem acompanha um espetáculo repetitivo, onde a vergonha pública virou rotina e o compromisso com o cargo, mera formalidade. No fim, a conta sempre chega. Mas, como de costume, ela nunca é paga por quem faltou.

*Sid Sheldowt é escritor, poeta e compositor 

Obs: Texto escrito com base em dados públicos do Portal da Transparência da CMM.

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