Nos últimos dias Manaus se tornou palco de um espetáculo grotesco, onde o dinheiro público foi esbanjado como se fosse […]

Semcom esbanja milhões enquanto a verdade se afoga em suposições
Nos últimos dias Manaus se tornou palco de um espetáculo grotesco, onde o dinheiro público foi esbanjado como se fosse água em meio ao deserto. Envolvida em um escândalo de proporções alarmantes, a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Manaus (Semcom) protagonizou um roteiro que mistura desfaçatez e desmando.
Enquanto a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) investiga vídeos que expõem um suposto esquema de pagamento de propina com dinheiro de caixa 2, a Semcom, sob a gestão do prefeito David Almeida, parece estar mais preocupada em esvaziar os cofres públicos do que em prestar contas à população. Com uma voracidade insaciável, foram despejados R$ 489,7 milhões nos três primeiros anos de mandato, e as previsões indicam que esse valor beirará os obscenos R$ 600 milhões até o fim da gestão.
Enquanto isso, o circo político continua sua trupe de acrobatas. Muitos vereadores (nem todos, lógico!), pois sabemos quais trabalham de verdade e não são omissos, já outros são habilidosos na arte da demagogia. Aproveitando-se do caos para montar seus números de circo, soltam notas vãs, protocolam denúncias para jogarem em suas redes sociais e ganharem likes tentando, desesperadamente, mostrar trabalho em véspera de eleições. No entanto, criar projetos e debates que cortem esse mal pela raiz não são capazes de elaborar, mesmo cercados de assessores ditos ‘qualificados’, pagos também com o nosso dinheiro.
Os portais, supostos guardiões da verdade, oscilam entre a defesa e a descredibilização da situação, como se estivessem em um cabo de guerra entre a ética e a conveniência. Muitos donos de portais, inclusive, se dão ao trabalho de gravar vídeos já afirmando que o outro vídeo é falso, trabalho esse que cabe à polícia e à justiça decidirem. Enquanto isso, os cidadãos são espectadores passivos dessa tragicomédia, vendo seus recursos escorrerem pelos ralos de uma mídia favorecida, enquanto os valores e princípios proclamados pela Semcom — ética, responsabilidade, transparência — tornam-se meras palavras vazias, ecoando num vazio que parece não ter fim.
