A revitalização da Praça dos Remédios, no Centro Histórico de Manaus, devolveu à cidade não apenas um espaço público renovado, […]

Revitalização da Praça dos Remédios resgata memória, paisagem urbana e sentimento de pertencimento em Manaus
A revitalização da Praça dos Remédios, no Centro Histórico de Manaus, devolveu à cidade não apenas um espaço público renovado, mas um símbolo de memória coletiva e identidade comunitária. A avaliação é da arquiteta e urbanista Melissa Toledo, especialista em patrimônio cultural, que analisa a intervenção sob uma perspectiva técnica, destacando o papel central do paisagismo como elemento estruturador da transformação urbana.
Para Melissa, embora fisicamente simples, a revitalização representa muito mais do que uma obra pontual. “Estamos falando da recuperação de um patrimônio coletivo, simbólico, que resgata a identidade e o sentimento de pertencimento de uma comunidade”, afirma. A praça está localizada em uma das áreas mais tradicionais da cidade, marcada historicamente pelo comércio atacadista e pela importância morfológica dentro do tecido urbano do Centro Histórico.
Segundo a arquiteta, antes da intervenção, a Praça dos Remédios apresentava sinais claros de degradação física, funcional e social. “O mobiliário estava danificado, havia baixa harmonia no espaço, iluminação insuficiente e um desenho urbano que já não atendia às demandas atuais de sensibilidade, segurança e conforto ambiental”, explica. Como resultado, a praça já não cumpria plenamente sua função de convivência e lazer.
Embora não tenha tido acesso ao projeto oficial, Melissa destaca que, a partir da leitura técnica, a revitalização se apoia em três grandes eixos:
1. Requalificação paisagística e ambiental
A praça recebeu nova composição vegetal, com espécies regionais de médio e grande porte. “O uso de vegetação nativa garante sombreamento, biodiversidade e cria um microclima essencial para Manaus”, observa. A implantação de áreas permeáveis e tratamento adequado do solo também foram pontos positivos, favorecendo a drenagem e o controle das águas pluviais.
2. Valorização da permanência e da convivência
A reorganização dos percursos, a ampliação das áreas de estar e a implantação de novos mobiliários tornam o espaço mais acolhedor. “A inclusão de bancos, lixeiras e iluminação em LED melhora tanto a funcionalidade quanto a sensação de segurança”, pontua a arquiteta.
3. Integração histórica e cultural
A intervenção preservou elementos simbólicos e visuais da praça, garantindo continuidade à memória coletiva. Para Melissa, esse ponto é essencial: “O grande desafio é equilibrar a preservação histórica com soluções contemporâneas. O paisagismo, nesse caso, atuou como mediador entre passado e presente”.
A revitalização também se destaca, segundo ela, por priorizar a sustentabilidade a partir do uso de espécies adaptadas ao clima local, o que reduz a necessidade de manutenção intensiva e os custos de médio prazo. “Essa escolha revela compromisso ambiental e respeito às condições amazônicas”, reforça.
Ao caminhar pela praça revitalizada, Melissa identifica uma delicadeza no novo desenho urbano, que reorganiza fluxos, integra áreas verdes e devolve protagonismo ao pedestre. “A praça deixa de ser um ponto de passagem e retoma sua vocação original: ser um espaço de convivência, lazer e contemplação”, diz.
Para a arquiteta, a transformação vai além do aspecto físico. “A revitalização da Praça dos Remédios reafirma o papel do espaço público como núcleo de vitalidade urbana. Resgata a função inicial das praças como pontos de encontro e fortalece o pertencimento comunitário”, resume.
Com essa intervenção, Manaus reafirma o valor de seus espaços históricos, ao mesmo tempo em que incorpora soluções contemporâneas que tornam a cidade mais acolhedora, sustentável e conectada à sua memória.
(*)Com informações: Assessoria
