Por Julie Jânio É com o coração apertado que escrevo sobre a morte de Fabiane Marques dos Santos, de apenas […]

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Entre paredes e silêncio: a urgência de enfrentar o feminicídio

Por Julie Jânio

É com o coração apertado que escrevo sobre a morte de Fabiane Marques dos Santos, de apenas 22 anos, assassinada dentro da própria casa, na rua Francisco de Queiroz, aqui no bairro Colônia Oliveira Machado. Morava no mesmo bairro que eu. Morava na comunidade onde a Associação Comunitária vem atuando diariamente para transformar realidades por meio de projetos sociais, culturais e esportivos.

A dor ganha outra dimensão quando a violência deixa de ser estatística e passa a ter nome, rosto, história. Fabiane era uma jovem trabalhadora, descrita pelos vizinhos como tranquila e dedicada. Profissional competente, atuava como designer de sobrancelhas e sustentava seu lar com dignidade. Tinha sonhos, responsabilidades e, acima de tudo, um filho de seis anos que a tinha como referência de amor e proteção.

Foi essa criança que encontrou a mãe sem vida no quarto e, na inocência de quem ainda não compreende a brutalidade do mundo, ligou para o pai dizendo que ela “não queria acordar”. Não há palavras que descrevam o impacto de uma cena como essa. Um trauma que acompanhará essa criança por toda a vida.

As informações iniciais apontam indícios de feminicídio. As lesões identificadas no corpo reforçam a suspeita de que Fabiane possa ter sido vítima de um crime motivado pela condição de ser mulher. Mais um caso que escancara a urgência de enfrentarmos a violência doméstica e as relações marcadas por conflitos e agressões que, muitas vezes, acontecem longe dos olhos da sociedade — mas dentro das casas.

A Colônia Oliveira Machado é um bairro de trabalhadores, de mães guerreiras, de jovens que buscam oportunidades. É também um território onde a ACS vem desenvolvendo ações para fortalecer vínculos, oferecer alternativas para crianças e adolescentes e promover cidadania. Trabalhamos para que nossas ruas sejam espaços de convivência, não de medo.

Mas projetos sociais, por mais importantes que sejam, não substituem a responsabilidade coletiva de combater a cultura da violência contra a mulher. Precisamos falar sobre respeito, sobre relacionamentos saudáveis, sobre denúncia e rede de proteção. Precisamos acolher, orientar e agir antes que o pior aconteça.

Hoje, a Colônia chora por Fabiane. Chora por um futuro interrompido. Chora por uma criança que precisará reconstruir sua vida diante de uma perda irreparável.

Que a justiça cumpra seu papel. E que nós, como comunidade, não nos calemos. Cada mulher precisa voltar para casa em segurança. Cada mãe precisa ter o direito de acordar no dia seguinte.

Que a memória de Fabiane nos mova à ação — não apenas à comoção.

Julie Jânio é Graduada em Comunicação Social-Relações Públicas, Estudante de Direito e Empreendedora Social.

 

**Os textos (artigos, crônicas) aqui publicados não refletem necessariamente a opinião da Div Agência de Comunicação – Portal do Minuto.

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