No caleidoscópio cultural que é o Big Brother Brasil, a edição de 2024 não é exceção à regra. Entre intrigas, […]

O Sotaque da Discórdia no BBB 24: A Estranha Inquietação de Rodriguinho com a Amazonense Isabelle

No caleidoscópio cultural que é o Big Brother Brasil, a edição de 2024 não é exceção à regra. Entre intrigas, romances e barracos que o programa sempre proporciona, um detalhe curioso emerge como pauta de debates acalorados: o sotaque e as gírias da participante amazonense, Isabelle. O centro dessa polêmica? O cantor e compositor Rodriguinho, ex-vocalista da banda Os Travessos, cuja presença no programa já é, por si só, um retorno às manchetes após um longo hiato.

Rodriguinho, em uma mistura de fascínio e repulsa, parece ter encontrado em Isabelle um alvo para suas críticas, inclusive a chamando de forma pejorativa de “índia” ao vivo no programa, o que resultou posteriormente em uma aula da nortista sobre os termos corretos e respeitosos a qual nossa origem deve ser referida. Algo que visivelmente incomodou ainda mais o pagodeiro esquecido. O sotaque carregado, as expressões tipicamente nortistas e o amor declarado de Isabelle por Manaus e pelo boi-bumbá, especialmente pelo Garantido, do qual é Cunhã-poranga, tornam-se, nas palavras de Rodriguinho, motivo de desconforto. Estranho, não? O que há no sotaque de Isabelle que tanto incomoda o “renomado” artista?

A ironia reside no fato de que o sotaque e as gírias regionais são elementos que celebram a diversidade cultural do Brasil. Em um país continental, a variedade linguística é um tesouro que deveria ser motivo de orgulho, não de incômodo. Contudo, Rodriguinho parece não partilhar dessa visão. Ele, que já foi símbolo de um movimento musical marcado pela expressão de uma cultura específica, agora estranha a expressão cultural de outro.

Não menos curioso é o eco de seu descontentamento em alguns manauaras. A crítica ao próprio sotaque e gírias revela uma complexidade cultural que transcende o programa. Será uma questão de autoidentificação ou uma rejeição a um estereótipo que não querem perpetuar?

Mas o cerne da questão é: por que a beleza e o sotaque de Isabelle incomodam tanto? No microcosmo do BBB, onde cada gesto e palavra são analisados, o incômodo de Rodriguinho reflete algo maior. Será medo do diferente? Ou a beleza de Isabelle, aliada à sua inegável conexão com suas raízes, desperta inseguranças?

Enquanto isso, Isabelle, com seu sotaque e amor por Manaus, desfila autenticidade. Ela nos lembra que a verdadeira beleza do Brasil está em sua diversidade. Cada sotaque, cada gíria, cada história é um fio que tece a rica tapeçaria cultural brasileira. Se ela está forçando, fingindo ou atuando, isso é outra história que só o tempo irá revelar. Mas, até lá, o Brasil já terá conhecido alguns costumes nortistas desconhecidos até então no resto do país.

Portanto, fica a reflexão: por que deixar que a beleza da diversidade nos incomode, quando ela deveria, na verdade, nos unir e nos encantar? É hora de celebrar as Isabelles do Brasil e questionar os Rodriguinhos que, perdidos em suas próprias limitações, falham em ver a beleza naquilo que é genuinamente brasileiro.

 

Sid Sheldowt é Escritor, poeta e compositor

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