A doméstica Maria Francisca Fernandes, 52 anos, luta há um ano para fazer o traslado dos restos mortais do filho […]

Mãe vive drama para trazer para Manaus restos mortais do filho, enterrado como indigente em SP

A doméstica Maria Francisca Fernandes, 52 anos, luta há um ano para fazer o traslado dos restos mortais do filho Erisson de Nazaré Morais, que morreu aos 30 anos, no dia 18 de maio de 2021, em São Paulo. Ele foi enterrado em um cemitério em Santo André (SP) sem identificação e apenas nove meses após a morte do jovem que a família foi comunicada do falecimento.

Segundo a mãe dele, Erisson morava em São Paulo há cinco anos e tinha frequente contato com o filho. No dia 12 de maio de 2021, foi a última vez que os dois se comunicaram por telefone. Depois do ‘sumiço’ do filho, Maria Francisca foi até São Paulo no mês de junho daquele ano para buscar por informações que pudessem chegar até Erisson. Apenas em fevereiro de 2022, a família tomou o conhecimento de que o rapaz havia morrido e sepultado como indigente em um cemitério de Santo André, região Metropolitana de São Paulo.

“Só quando eu cheguei em São Paulo, eu descobri que ele estava com depressão. Eu passei vinte dias lá procurando por ele, fui mais ou menos em oito abrigos, fui no hospital onde ele tinha dado entrada, fizemos boletim de ocorrência na delegacia de desaparecidos também. Ele tava doente e a empresa onde ele trabalhava mandou ele para um hospital sozinho, ele foi e depois sumiu. Ninguem soube mais dele. Aí eu vim me embora quando passou nove meses, a polícia ligou pra minha sobrinha falando que tinham achado o corpo, mas acharam no dia 18 de maio de 2021”, conta ela, que tem um atestado de óbito do filho com apenas as informações sobre a data de falecimento.

Maria Francisca conta ainda que só depois de nove meses de morte e sepultamento que a Polícia de São Paulo entrou em contato com a empresa que ele trabalhava e uma colega de faculdade do rapaz para fazer o reconhecimento do morto, que aconteceu por foto.

“Quando encontraram o corpo dele, não tinha documento nenhum, só encontraram um celular do lado do corpo dele. Nesse celular tinha dois números, um de uma menina da Rússia e uma colega da faculdade. Nove meses depois que a Polícia ligou pra elas, um rapaz do trabalho dele e essa menina da faculdade reconheceram ele por foto e aí a Polícia entrou em contato com a familia”.

Um ano depois da descoberta da morte do filho, os familiares continuam tentando conseguir informações sobre como fazer o traslado dos restos mortais de Erisson de Nazaré para serem enterrados de forma digna em Manaus. A família faz um apelo por ajuda aos órgãos públicos de São Paulo e Amazonas.

“Era época da Covid-19 e disseram que não podiam ficar muitas pessoas congeladas no IML e por isso, ele foi logo enterrado. Mas o delegado me falou que um material foi colido para fazer o DNA. Nós andamos muito, fomos de um lado para o outro pedindo informações até acabar o dinheiro, eu adoeci e paramos de procurar ajuda”, detalhou ela, que pretende voltar a São Paulo.

“A minha vontade é de ir lá. Eu tenho fé em Deus de conseguir ajuda para chegar até lá, fazer esse DNA e fazer um laudo de óbito com o nome dele. Depois vou lutar para fazer esse traslado. Enquanto eu estiver viva, eu vou lutar porque é muito triste ver o meu filho jogado, enterrado sem nome, são pelo menos dois anos sofrendo”, lamentou Maria Francisca. A equipe de reportagem entrou em contato com o Governo de São Paulo e Governo do Amazonas, e aguarda um posicionamento.

Fonte: A Crítica

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