O hábito de acelerar vídeos tornou-se cada vez mais comum entre estudantes e usuários de redes sociais. Seja em aulas […]

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Hábito de assistir vídeos acelerados cresce, mas pode comprometer a retenção de conteúdo

O hábito de acelerar vídeos tornou-se cada vez mais comum entre estudantes e usuários de redes sociais. Seja em aulas online, podcasts ou vídeos curtos como os do TikTok, consumir conteúdo em velocidade 1,5x ou até 2x já virou rotina — especialmente entre os mais jovens. Mas apesar de parecer uma prática inofensiva, especialistas alertam para os impactos cognitivos dessa aceleração no processo de aprendizagem.

Um estudo realizado com estudantes da Califórnia apontou que 89% deles costumam mudar a velocidade dos vídeos para assistir mais rápido. A pesquisa faz parte de uma meta-análise que compilou 24 estudos sobre o tema e revelou que a prática tem limites: enquanto assistir em até 1,5x praticamente não afeta a retenção — a queda média no desempenho é de apenas 2 pontos percentuais —, velocidades superiores começam a comprometer significativamente a compreensão do conteúdo. Em 2,5x, por exemplo, o desempenho pode despencar até 17 pontos.

A explicação está no funcionamento da memória de trabalho, responsável por codificar, armazenar e recuperar informações em tempo real. Quando a velocidade do vídeo ultrapassa a capacidade do cérebro de acompanhar e organizar o conteúdo, parte das informações simplesmente deixa de ser processada.

Ainda não há consenso sobre os efeitos de longo prazo desse hábito. Pesquisadores avaliam se assistir a vídeos acelerados pode, com o tempo, desenvolver uma maior capacidade de atenção ou apenas gerar uma sobrecarga contínua no cérebro. O que já se sabe, no entanto, é que o conhecimento exige tempo para ser absorvido. Em outras palavras: dá para acelerar o vídeo, mas ainda não dá para acelerar o aprendizado.

(*) The News

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