Por: RGE BrasilnnA Espantalho surgiu a partir da ScareCrow, uma banda de rock alternativo idealizada por Marcos Terra Nova (MTN) […]

Espantalho, o Extraordinário Amanhecer Dirigindo

Por: RGE BrasilnnA Espantalho surgiu a partir da ScareCrow, uma banda de rock alternativo idealizada por Marcos Terra Nova (MTN) e Bosco Leão, entre 1992/1993 quando eram vizinhos de rua no bairro Japiim, em Manaus. Marcos escolheu o nome “Sacecrow” a partir de duas músicas lançadas em 1992: “Scarecrow” do álbum Psalm 69 do Ministry e “RV” do álbum Angel Dust do Faith no More. Entre 1993 e 1995 essa primeira banda experimentou algumas formações migrando gradativamente do Trash Metal para o Rock Alternativo conforme os demais integrantes iam modificando.nnO repertório era basicamente de covers. Entre 1994/1995 Bosco deixou Manaus indo morar em São Paulo. Nessa época Marcos compôs as músicas “Ever Will Be” e “Red” (como resultado de uma adaptação e finalização da letra ofertada por Sandro Correa) além de “Unnoticed” que mais tarde se tornaria “Overdrive” (sendo estas duas últimas lançadas no primeiro álbum de 2003). Em maio de 1995 Marcos deixou Manaus indo morar em Brasília, quando compôs “Rosas Roubadas” que só viria a ser lançada no álbum “Volver”, em 2013, 18 anos depois! Ao retornar para Manaus, em 1996 Marcos se juntou ao Lauro Henrique (na bateria) e Marcio Denis (guitarra solo) e Marco Alencar (baixo) consolidando aquela que seria a primeira formação autoral, já que as músicas tocadas na fase anterior se resumiam a covers.nnOs ensaios passaram a acontecer nos altos da MFAC Eletrônica (do pai de Marcos) que funcionava na Rua Itamaracá, na região do baixo meretrício de Manaus. Ali foram então finalizadas as músicas “Red”, “Qual É?” e “Sunbean”. Nessa época as referências musicais eram basicamente Alice In Chains, Mad Season, Metallica, New Model Army e Nirvana. As músicas covers incluíam “Love Hate Love”, “Man In The Box” (do AiC), “Big Long Now” (Nirvana) e “White Light” (New Model Army). Com essa formação a banda passou a se apresentar publicamente em eventos, com destaque ao que foi realizado no Circo do Sesc, quando teve uma fita cassete pirata gravada diretamente da mesa de som com a música “Red”, sendo essa cópia passada de mão em mão por entusiastas como Mário Maronha e Bob Medina, pela cidade! Houve ainda outros festivais realizados em ginásios e clubes da cidade. Mas não demorou muito para que Marco Alencar anunciasse sua saída da banda por problemas pessoais. Isso acabou gerando impasses quanto a manutenção dos ensaios levando Marcos e Márcio a realizarem pequenos shows acústicos de “voz e violão” no Bar do Barão e Casa de Luz.nnCom a volta de Bosco para Manaus Marcos propôs seu retorno na condição de baixista para novamente completar o grupo, já que ele havia sido um dos idealizadores da banda. Mas essa experiência não logrou êxito do ponto de vista musical. Após alguns ensaios frustrados e esse novo impasse a solução encontrada de comum acordo foi à divisão do grupo em duas partes. Marcos e Márcio de um lado e Bosco e Lauro de outro para que assim todos tocassem seus projetos sem comprometerem as próprias amizades. Em meados de 1997 Marcos convidou Voulner Sá (prof. de bateria no Scala, centro de Manaus) para as baquetas sendo que este convidou Fábio (também prof. do Scala) para a vaga no baixo, ficando este último por pouquíssimo tempo. Foi então que de forma casual Marcos e Márcio encontraram com Mario Ruy Carvalho, à época baixista da Armaggedon, promissora banda de Trash Metal da cidade. A partir dessa nova formação a banda ampliou o repertório autoral com a adição das músicas “Lágrimas das Nuvens”, “Aborto” e “Memórias de Um Suicida” além de covers novos como “Even In His Youth” e “Sappy” (Nirvana), mantendo ainda aquela atmosfera mais soturna geral.nnA banda passou a se apresentar em lugares como Ecos Bar, Aeroclube e mais regulamente no War Zone ou Bar dos Hell Angel’s e que funcionava bem próximo à rodoviária da cidade. Porém, o fato de Voulner Sá ser também baterista da Deskarados – banda de Ska que vinha ganhando popularidade na cidade – isso gerou conflitos de agenda levando ao seu desligamento do grupo. Novamente a Scarecrow estava sem baterista. Foi quando Mario Ruy estendeu o seu convite para o Erick Figueiredo, baterista de sua outra banda, a Armaggedon. A partir de então a banda encontrou a sua formação mais produtiva até então, aumentando seu repertório autoral de forma exponencial. O fato de todos morarem no mesmo bairro facilitava a realização dos ensaios nas garagens do Mário Ruy ou Márcio Denis e no Centro Social do Conj. Athílio Andreazza. A banda passou a experimentar mais na produção musical quando então começaram a surgir as composições “O Extraordinário”, “Desde o Berço”, “Balas de Titânio”, “Sick (Atua TBT)”, “Corpo Fechado” e uma versão mais tribal de “Qual É?”. As influências àquela altura estavam bem mais ecléticas e incluíam bandas independentes como Nada Surf, Superchunk e Veruca Salt e outras mais conhecidas como Smashing Pumpkins e Depeche Mode. E mesmo que houvesse influências estrangeiras havia também influências brasileiras como Titãs, IRA! e Legião. As letras do repertório autoral passavam a ser basicamente em português, com exceção de “Overdrive” da fase anterior, sendo que procurava trazer para as letras os dilemas pessoais e sociais de sua época, ao mesmo tempo em que tentava fugir de abordagens mais clichês da década anterior. As melodias, por outro lado, estavam mais dinânimas e aceleradas pop e punk rock, fugindo da proposta inicial mais soturna. Então em meados de 1998 a banda se apresentou no 15º Festival Universitário de Música da Universidade do Amazonas, como atração, o que levou a ampliação de seu público. Nesse mesmo ano ocorreu a apresentação na primeira edição do Fronteira Norte, Festival de Rock, que ocorreu no km 30 da AM-010 (Estrada Manaus-Itacoatiara).nnEm 1999 a banda se apresentou novamente na 2ª edição desse mesmo festival, quando então resolveu traduzir o nome para Espantalho. Em 2000 a banda entrou no Estúdio Espelho da Lua para a gravação do tão sonhado primeiro álbum utilizando 20 horas emprestadas por Glaucio Kaely que logo em seguida acabariam exigindo novas horas de gravação, que eram muitas das vezes conseguidas durante as madrugadas por Glaucio Benchaya (o produtor musical do álbum), naquilo que se chamavam as “sobras de estúdio”. Nesse mesmo ano ocorreu a apresentação no Rock de Ponta na Ponta Negra em um evento organizado pela Fundação Villa-Lobos (FVL), levando mais de 4 mil pessoas ao lugar, momento este em que a banda vinha ganhando maior destaque na cena autoral local, e que acabou funcionando como uma porta de entrada ao projeto seguinte, a Coletânea de Rock Além da Fronteira, da mesma Fundação. Em seguida Márcio Denis deixou o grupo por divergências criativas com Marcos até sua volta um ano depois. A coletânea Além da Fronteira Vol. II. Foi lançada em 2002 e nela a banda entrou com as faixas “Qual É?” e “Amanhecer Dirigindo”, já parcialmente gravadas e agora finalizadas no Estúdio Dance Mix, de Raidi Rebelo, tendo sua mixagem feita por Rosivaldo Cordeiro. Logo em seguida Erick Figueiredo deixou o grupo por motivos pessoais. Uma vez lançada e com sucesso as Coletâneas Além da Fronteira Vols. I e II preconizaram o Projeto Valores da Terra onde a FVL iria dispor de horas de estúdio para o lançamento individual de vários artistas e bandas. A Espantalho foi uma delas.nnEntre 2002 o baterista China (Ex-Carrapicho) entrou em estúdio para gravar as novas faixas “Patchuli”, “Desde o Berço” e “Colar de Estrelas” como músico de estúdio. Com certo atraso o álbum foi finalmente lançado em 13 de setembro de 2003, em um evento no Espaço Cultural Usina Chaminé juntamente com as bandas Chá de Flores e Zona Tribal. Nessa ocasião a banda contou com a participação do baterista Thiago Guelf.nnOficialmente a banda estava formada por Marcos Terra Nova, Márcio Denis e Mario Ruy Carvalho. Desse primeiro álbum se destacaram as faixas “Amanhecer Dirigindo”, “Red”, “Qual É?”, “O Extraordinário”, “Patchuli” e “Colar de Estrelas”, além de ter gerado os prêmios de “Artista Revelação” e “Melhor Álbum do Ano” pelo jornal À Crítica. Entre 2003 e 2004 Guto Nunes deu suporte nos shows. Márcio Denis saiu novamente. Nesse período Marcos e Mario Ruy entraram em estúdio para gravar um novo single “Tempo de Despedida” e “Lágrimas das Nuvens (versão acústica)” no Estudio Du Vale com intermédio do Ex-Carrapicho Chinna, assumindo logo em seguida as baquetas de forma oficial. A banda voltou à ativa com sua agenda de shows lotando o Coração Blue junto com a Platinados. Entre 2006 Marcos assinou contrato com a MTV. A faixa “O Extraordinário” passou a ser veiculada em vinhetas da emissora e a banda foi escalada para o “Banda Antes MTV”, programa “porta-de-entrada” da emissora, mas isso acabou não vingando. A própria emissora suspendeu esse programa já sinalizando o que viria depois, o abandono de foco musical para abraçar o formato dos realities shows, moda e comportamentos.nnEm 2007 a agenda de shows diminuiu novamente tanto pela parte privada quanto na esfera pública situação essa que, somadas as necessidades de autossustento dos integrantes, induziram o fim da banda. Em 2010 a Espantalho anunciou um retorno na forma de revival superlotando o Vitrola Bar por duas noites consecutivas. Desde então começaram cobranças via redes sociais para que a banda voltasse a ativa. Assim, no segundo semestre de 2012 houve então o Show de Retorno quando a banda superlotou o Casa Blanca Pub, antigo cinema Chaplin no centro da cidade. Nessa ocasião a Espantalho contava com Marcos Terra Nova na guitarra-base e vocal, Mario Ruy Carvalho no baixo e BV, Guto Nunes na bateria e BV e David Henrique na guitarra solo. A banda tocou na passarela do Samba no Festival Até o Tucupi de 2012. No final de 2012 e início de 2013 a banda desenvolveu os processos de produção do segundo álbum “Volver”. As gravações ocorreram no Estúdio Garagem 30 (do Guto) e contaram com produção própria, momento em que Marcos convidou Márcio Denis para voltar às atividades, participando então da gravação de três faixas.nnLançado em maio de 2013 “Volver” trouxe de volta a versão original “Tempo de Despedida” (de 2005), uma regravação de “Foxtrote” e aquelas, até então, não-gravadas mas já conhecidas pelo público: “Fogos de Artifício”, “Bang Bang”, “100% Algodão”, “Rosas Roubadas”, “Magnólia” e “Como Pinturas de Van Gogh”. O álbum também contou com o cover “Felicidade (Como Sobreviver Assistindo TV Sete Dias Por Semana) da banda Underflow. Neste ano a banda ainda realizou um show de abertura para a banda brasiliense Plebe Rude, sendo que Marcio Denis anunciou seu desligamento por motivos pessoais logo em seguida. No final de 2013 houve a saída de Augusto Nunes entrando Aline Castelo Branco no mesmo posto. Frank Silva havia assumido a guitarra solo no final de 2012. No final de 2015, Marcos deixou Manaus indo morar em Florianópolis, suspendendo as atividades da banda.nnEntre 2018 Marcos começou um processo de reorganização do repertório e de produção em home-estúdio lançando alguns singles solos pelas plataformas digitais. Com o advento da pandemia o compositor rearticulou o projeto junto aos demais integrantes para quebrar um jejum de quase 7 anos. Assim, em julho de 2022 a Espantalho voltou à ativa em duas noites consecutivas de casa cheia no Condado Pub. Para a surpresa de todos mais uma vez o público se mostrou extremamente participativo, mas também renovado. Segundo os integrantes isso deu um novo gás à banda. Na mesma ocasião o álbum “Volver” foi relançado em sua versão reconstruída (Rebuilt), onde alguns elementos preteridos durante os processos de gravação em 2013 puderam ser então trabalhados. Algumas músicas como “Corpo Fechado”, “Volver”, “100% Algodão”, “Aeroportos” contaram com novas versões que incluíram novos arranjos musicais e trechos de letras inéditos. 2022 também marcou a reedição e reinserção do catálogo musical da banda nas plataformas digitais sob a tutela da RGE Brasil, selo independente, que também passou a gerenciar os shows da banda.nnEntre 2022 e 2023 a banda realizou quatro shows na cidade de Manaus e está em vias de fazer o Evento Especial de Comemoração aos 20 dos Álbuns de Estreia juntamente com as bandas Chá de Flores e Zona Tribal, no dia 09/09/2023 às 16h30min no Largo de São Sebastião. Formação Atual: Marcos Terra Nova (vocal/guitarra); Mario Ruy Carvalho (baixio/backing vocal); Erick Figueiredo (bateria) David Henrique (guitarra solo) – Músico convidado. Músicos Convidados de Honra Márcio Denis Soares Chinna.nn

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