Depois de dois anos dominando os espaços mais nobres das camisas dos clubes brasileiros, as casas de apostas começaram a […]

Era de ouro das bets no futebol brasileiro começa a dar sinais de fim
Depois de dois anos dominando os espaços mais nobres das camisas dos clubes brasileiros, as casas de apostas começaram a reduzir sua presença no futebol nacional. O movimento marca uma mudança de cenário após um período de forte expansão e investimentos recordes no esporte.
Em 2025, as chamadas bets injetaram mais de R$ 1 bilhão em patrocínios apenas na Série A do Campeonato Brasileiro, contribuindo para inflar o mercado. Dos 20 clubes da elite, 18 tinham uma casa de apostas como patrocinadora máster, em contratos que atingiram cifras históricas.
Entre os maiores acordos estiveram o do Flamengo com a Betano, no valor de R$ 268,5 milhões — o maior já registrado no país —, seguido por Corinthians, com a Esportes da Sorte (R$ 150 milhões), São Paulo, com a Superbet (R$ 113 milhões), e Palmeiras, patrocinado pela Sportingbet (R$ 100 milhões).
No entanto, o cenário começou a mudar em 2026. Clubes como Bahia, Coritiba, Grêmio, Internacional, Santos e Vasco iniciaram a temporada sem patrocinador máster, todos após o encerramento de contratos com empresas do setor de apostas.
O principal fator para a retração é a nova regulamentação das apostas no Brasil. Desde janeiro de 2025, as empresas passaram a operar sob regras mais rígidas, incluindo a cobrança de 12% de tributação sobre a receita bruta, o que impactou diretamente a rentabilidade do negócio.
Além disso, avança no Congresso Nacional a discussão sobre a chamada Cide-Bets, que prevê uma taxa adicional de 15% sobre os depósitos feitos pelos apostadores. Caso aprovada, a medida deve reduzir ainda mais a margem das empresas e, por consequência, o volume de investimentos no futebol.
Apesar da desaceleração no curto prazo, o setor de apostas ainda deve manter protagonismo no esporte brasileiro. Esse cenário, porém, depende do desfecho de outro projeto em tramitação no Senado, que propõe restringir a publicidade de casas de apostas nas camisas dos clubes de futebol.
(*)The News
