Estados Unidos – Um avanço científico promissor pode revolucionar a medicina regenerativa e a sustentabilidade industrial: pesquisadores norte-americanos desenvolveram um […]

Cientistas transformam urina humana em material usado para implantes ósseos e dentários
Estados Unidos – Um avanço científico promissor pode revolucionar a medicina regenerativa e a sustentabilidade industrial: pesquisadores norte-americanos desenvolveram um método capaz de transformar urina humana em hidroxiapatita, mineral essencial na composição de ossos e dentes. A descoberta, publicada em maio na Nature Communications, abre caminho para soluções inovadoras na produção de implantes médicos e dentários, além de novas aplicações ambientais e industriais.
O processo utiliza leveduras geneticamente modificadas para simular o funcionamento de células humanas, convertendo a ureia presente na urina em hidroxiapatita cristalina, pronta para uso em larga escala. A técnica foi resultado de uma parceria entre universidades dos Estados Unidos e do Japão, com coordenação do professor David Kisailus, especialista em engenharia de materiais da Universidade da Califórnia Irvine.
Segundo Kisailus, a inovação atinge dois objetivos estratégicos: “De um lado, ajuda a remover urina dos fluxos de águas residuais, reduzindo a poluição ambiental. Por outro, gera um material de alto valor agregado para diferentes usos”. A hidroxiapatita é amplamente utilizada em implantes e reconstruções ósseas por sua resistência e biocompatibilidade, mas sua produção convencional é cara e poluente. A nova técnica, além de mais barata, é segura do ponto de vista ambiental.
A eficiência também surpreende: cada litro de urina processada gera até um grama do mineral em menos de 24 horas. O uso da levedura Saccharomyces boulardii, já conhecida por sua aplicação como probiótico, torna o processo similar à fabricação de cerveja e viável até em regiões com infraestrutura limitada. Isso pode democratizar o acesso a tecnologias médicas em países em desenvolvimento.
A expectativa é que essa inovação movimente uma cadeia industrial estimada em US$ 3,5 bilhões (cerca de R$ 19,1 bilhões) até 2030. A hidroxiapatita produzida também pode substituir plásticos e outros materiais não biodegradáveis em setores como construção civil e impressão 3D. “Estamos explorando o uso do material para a fabricação de próteses e componentes estruturais por meio da impressão tridimensional”, adiantou Kisailus.
Inspirado no processo natural de formação óssea nos mamíferos — em que osteoblastos extraem cálcio e fósforo dos fluidos corporais —, o experimento mostrou que resíduos comuns e descartados diariamente podem ser reaproveitados de forma eficiente, sustentável e tecnológica.
Os próximos passos incluem a ampliação da produção em escala industrial e a aplicação da técnica na criação de novos materiais, inclusive voltados à geração e armazenamento de energia. Trata-se de um marco que une biotecnologia, saúde e economia circular em um só processo.
(*) Com informações: D24Am
