O debate ético sobre o uso de animais em pesquisas que simulam doenças humanas vem ganhando força na comunidade científica […]

Imagem: Getty Images

China aposta em animais geneticamente modificados para liderar a biotecnologia

O debate ético sobre o uso de animais em pesquisas que simulam doenças humanas vem ganhando força na comunidade científica internacional. Esse movimento é impulsionado, em grande parte, pela estratégia adotada pela China para assumir a liderança global no setor de biotecnologia.

O país tem investido na criação de porcos, cães e macacos geneticamente modificados para desenvolver doenças comuns em humanos. Na prática, cientistas alteram genes específicos para induzir quadros neurológicos e degenerativos reais, como esclerose lateral amiotrófica (ALS), Parkinson, autismo e esquizofrenia — condições que, muitas vezes, não se manifestam de forma fiel em modelos tradicionais, como ratos.

Esses modelos permitem acompanhar com mais precisão a progressão das doenças, além de testar terapias e avaliar possíveis efeitos colaterais. A estratégia atende a um objetivo claro: transformar a biotecnologia em uma prioridade nacional. Sob a liderança do presidente Xi Jinping, o setor recebeu investimentos de cerca de US$ 3 bilhões em 2022, com exigências éticas menos rígidas para testes em animais.

Um dos exemplos mais emblemáticos é o desenvolvimento de um porco geneticamente modificado para apresentar ALS, doença que não se reproduz de maneira confiável em roedores. A partir desse modelo, pesquisadores avançaram na criação de uma terapia genética que chegou a obter autorização da FDA, a agência reguladora dos Estados Unidos, para testes em humanos.

O avanço tecnológico se reflete nos números do setor. Nos últimos dez anos, o mercado de biotecnologia ligado a esses modelos mais que dobrou de tamanho, passando de US$ 7 bilhões em 2014 para US$ 15 bilhões em 2024.

(*)Fonte: D24Am

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