O câncer de próstata é o tumor mais frequente entre os homens no Brasil, com mais de 71 mil casos […]

Brasil reinventa cirurgia de próstata no SUS com técnica inovadora e sem robôs
O câncer de próstata é o tumor mais frequente entre os homens no Brasil, com mais de 71 mil casos estimados apenas este ano, pressionando o Sistema Único de Saúde (SUS) por soluções eficazes e acessíveis.
Em meio a esse cenário, pesquisadores do Hospital Universitário Pedro Ernesto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (HUPE-UERJ) desenvolveram a técnica AORP (Prostatectomia Radical Aberta Anatômica), que promete aproximar os benefícios da cirurgia robótica às cirurgias convencionais realizadas no SUS — sem a necessidade de tecnologia cara ou robôs, o que pode facilitar o acesso ao tratamento em hospitais públicos de todo o país.
A AORP combina princípios anatômicos e conceitos derivados da cirurgia robótica com instrumentos tradicionais, o que melhora a precisão da prostatectomia aberta sem elevar os custos. Em estudos clínicos com cerca de 240 pacientes, aproximadamente 60% dos homens submetidos à AORP recuperaram a continência urinária em 30 dias, contra 42% na técnica convencional, além de apresentarem menores taxas de complicações e melhor preservação dos nervos essenciais para a função sexual. Os primeiros dados também indicam menor perda de sangue, redução no tempo de uso de cateter e resultados oncológicos equivalentes aos métodos tradicionais, sem comprometer a segurança do tratamento.
Enquanto a cirurgia robótica — já prevista para ser incorporada ao SUS nos próximos meses, embora ainda dependa de estrutura e recursos — traz avanços importantes na precisão e recuperação pós-operatória, seu alto custo limita a disponibilidade em grande escala no sistema público. A AORP surge como alternativa estratégica para ampliar o acesso a um padrão cirúrgico mais avançado, com custo até quatro vezes menor que o da cirurgia robótica, sem perder eficácia funcional ou oncológica, e pode beneficiar pacientes em regiões com recursos limitados no Brasil e em outros países.
Especialistas apontam que inovações como a AORP representam uma tendência importante para democratizar tratamentos complexos, democratizando o acesso e reduzindo a desigualdade tecnológica na saúde pública.
(*)The News
