Você já imaginou encontrar caranguejos e camarões andando livremente no meio de uma universidade urbana? Pois essa é uma realidade […]

Amazônia no campus: caranguejos e camarões da UFAM
Você já imaginou encontrar caranguejos e camarões andando livremente no meio de uma universidade urbana? Pois essa é uma realidade curiosa e fascinante dentro do campus da UFAM em Manaus.
O campus da Universidade Federal do Amazonas, com seus cerca de 700 hectares de floresta urbana, não abriga apenas aves, jacarés e esquilos — ele guarda ainda pequenos crustáceos em seus igarapés e corredores ecológicos.
Isso mesmo: as matas e águas que compõem esse “ecossistema entre prédios” sustentam vida que muitos não esperam ver tão perto da cidade. Conforme revela o livro Fauna e Flora da Universidade Federal do Amazonas: A maior biodiversidade urbana do Brasil, são mantidos ecossistemas que acolhem comunidades diversas, inclusive de crustáceos — entre eles, camarões e caranguejos.
Crustáceos: amigos da água e da terra
Os crustáceos — grupo que inclui caranguejos, camarões, siris e lagostas — são em geral associados aos ambientes marinhos. Mas muitos vivem em água doce: rios, lagos, igarapés e até no solo. No campus da UFAM, já se registraram espécies como tatuzinhos-de-jardim, pulgas d’água, camarões e caranguejos.
Esses animais não são meros visitantes: sua presença é simbólica de saúde ambiental. Muitos crustáceos são sensíveis a poluição e alterações bruscas de habitat. Quando habitam áreas fragmentadas como as de Manaus, indicam que os ecossistemas ainda mantêm seu equilíbrio.
Por exemplo, o caranguejo de água doce, semi-terrestre, aproveita tanto o meio aquático quanto as margens dos igarapés para construir suas tocas e buscar alimento. Ele ajuda a “arear” o solo, circulando nutrientes entre água e terra.
Um indicador que fala pelas águas
Segundo o biólogo Edinbergh Caldas de Oliveira, muitos crustáceos funcionam como elo essencial na teia alimentar: eles consumem matéria orgânica em decomposição, atuam como recicladores naturais e ainda servem de alimento para peixes, aves, anfíbios e mamíferos que se aproximam das margens.
Por isso, quando caranguejos e camarões são encontrados em ambientes como os igarapés da UFAM, podemos interpretar que o funcionamento ecológico não está totalmente interrompido — apesar das fortes pressões externas.
Desafios e alertas para conservar
Entretanto, nem tudo é cenário ideal. O campus sofre com ameaças constantes: avanço urbano, poluição, descarte irregular de lixo e até construções próximas às nascentes dos 17 igarapés que cortam a área. Esgotos e resíduos das regiões vizinhas chegam até as águas, comprometendo a sobrevivência dessas populações sensíveis.
Para o pesquisador, é urgente firmar parcerias entre a universidade, órgãos públicos e comunidade local para fazer limpieza — recolher o lixo que diariamente invade a mata — e proteger as nascentes, os cursos d’água e a flora e fauna que dependem delas.
Um fragmento valioso da Amazônia
No panorama da biodiversidade amazônica, não são apenas os grandes animais que importam. Nos “pequenos habitantes”, muitas vezes invisíveis, repousa uma parte essencial da saúde ambiental. A diversidade encontrada no campus da UFAM — registrada no livro Fauna e Flora da UFAM — nos lembra da importância de valorizar cada vida, por menor que seja.
“Aquilo que chamamos de fragmento urbano é, na verdade, um recorte vivo da Amazônia”, conclui Oliveira. Preservar esse fragmento significa proteger, em plena cidade, um território de conexões com o verde, com a água e com nós mesmos.
(*) Com informações: Portal Amazônia
