Por Sérgio Baré Manaus assiste hoje a um marco que transcende a entrega de uma estrutura física. A inauguração do […]

Foto: Evandro Seixas / SES-AM

A Dignidade que Corre nas Veias: O Novo Hospital do Sangue

Por Sérgio Baré

Manaus assiste hoje a um marco que transcende a entrega de uma estrutura física. A inauguração do Hospital do Sangue, o novo complexo do Hemoam, representa um avanço técnico necessário para o Amazonas. No entanto, o que realmente sustenta as paredes de uma unidade de saúde de alta complexidade não é o concreto, mas a estabilidade e a profissionalidade de quem nela trabalha.

Houve, durante meses, uma incerteza pairando sobre o modelo de gestão dessa unidade. Ocorreu uma movimentação pela terceirização das atividades-fim, um modelo que, embora pareça ágil no papel, frequentemente precariza o atendimento e rompe o vínculo entre profissional e paciente. É preciso celebrar o fato de que o bom senso prevaleceu: a decisão de integrar fisioterapeutas através do quadro de servidores públicos é uma vitória da continuidade sobre a transitoriedade.

O servidor público é o guardião da memória técnica do Estado. Em um hospital especializado, a experiência acumulada ao longo de anos de dedicação ao SUS não pode ser substituída por contratos temporários de empresas terceirizadas que visam, em primeira instância, o equilíbrio de planilhas. O fortalecimento do quadro de fisioterapeutas concursados garante que o protocolo de tratamento iniciado hoje terá o mesmo rigor e a mesma face amiga daqui a uma década.

A Precisão Técnica na Reabilitação Hematológica

A inserção desses profissionais no Hospital do Sangue atende a uma demanda clínica rigorosa. O tratamento de doenças do sangue exige uma especialização que vai muito além da reabilitação convencional. Falamos aqui de pacientes que convivem com condições severas e crônicas.

Nas Hemoglobinopatias, como a Anemia Falciforme, o fisioterapeuta é o profissional que maneja a dor e a função respiratória. Durante as crises vaso-oclusivas, o cuidado especializado previne o colapso de tecidos e melhora a oferta de oxigênio onde o sangue, por sua condição biológica, tem dificuldade de chegar. É a intervenção técnica que evita a invalidez precoce.

Da mesma forma, o acompanhamento nas Coagulopatias Hereditárias, a exemplo da Hemofilia, é o que permite ao paciente manter a autonomia. O controle das hemartroses, sangramentos internos nas articulações, depende de uma fisioterapia preventiva e constante. Sem esse suporte, o destino de muitos seria a mesa de cirurgia ou a cadeira de rodas. Ao garantir que esses profissionais sejam parte fixa do quadro do Estado, o Amazonas assegura que o direito à mobilidade não seja interrompido por burocracias contratuais.

O aumento do número de fisioterapeutas no Estado é, portanto, uma decisão de gestão inteligente. Reduz-se o tempo de internação, previnem-se complicações secundárias e, acima de tudo, respeita-se a trajetória de quem busca no Hemoam a sua única esperança de qualidade de vida. Que o Hospital do Sangue seja o exemplo de que a saúde pública se faz com investimento no humano e respeito ao servidor.

*Sérgio Baré é fisioterapeuta e vereador de Manaus.

**Os textos (artigos, crônicas) aqui publicados não refletem necessariamente a opinião da Div Agência de Comunicação – Portal do Minuto.

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