Por: José Walmir Adam Smith deve ter sido o primeiro estudioso a discorrer de forma sistematizada sobre as vantagens da […]

Reprodução: Clima Info

A Amazônia não é parte do problema americano, mas pode ser parte da solução

Por: José Walmir

Adam Smith deve ter sido o primeiro estudioso a discorrer de forma sistematizada sobre as vantagens da especialização profissional com divisão social do trabalho. David Ricardo, economista inglês, levou essa proposição para além dos limites nacionais dos países, ao propor que todas as nações do mundo se beneficiariam com a divisão mundial da produção, em razão da eficiência conseguida em determinado produto ou serviço.

Para os economistas clássicos, a divisão do trabalho e a especialização da produção, associadas à diminuição das barreiras tarifárias entre países (exceto o fator trabalho), resultariam em um mundo mais feliz, rico e seguro.

Depois, com o aperfeiçoamento dos sistemas de transportes, a melhoria significativa da logística mundial e a “pacificação legal” do comércio global em torno da Organização Mundial do Comércio, permitiram-se a construção de cadeias globais de produção e distribuição de milhares de produtos e serviços por quase todo o mundo.

Tal movimento tem sido brutalmente solapado em várias partes do mundo, fomentado primeiramente pelo “ódio” à imigração, que, mais do que fechar fronteiras, também quer fechar produtos e serviços produzidos no exterior.

Muitos cidadãos mundo afora querem se isolar… Será?

Desde antes da independência do Brasil, companhias estrangeiras, predominantemente vindas dos Estados Unidos e da Europa, exploraram os recursos naturais do país.

A Amazônia brasileira é um dos sistemas biológicos mais expressivos do planeta, possuindo a mais importante e fascinante floresta mundial. É a região mais rica em biodiversidade, além de ter rios com volume de água potável em quantidade expressiva (Maria Lúcia C. Braga, 2010).

Durante a Guerra Fria, alguns países chegaram a financiar pesquisas com o propósito de a Amazônia se tornar um eventual refúgio, caso ocorresse uma guerra nuclear entre os países centrais (ibidem).
Assim, quer seja pelo lado da ampliação da qualidade de vida da humanidade, quer seja para preservar as últimas vidas humanas que sobreviverem a um provável conflito nuclear, a Amazônia se torna parte fundamental.

Posto isso, devemos nos perguntar: o Estado brasileiro, maior “proprietário” da região amazônica, assim como já fez outras vezes, deveria usá-la para se contrapor à chantagem político-comercial do governo americano?

Deve o Estado brasileiro proibir ou limitar a comercialização para os Estados Unidos de qualquer recurso estratégico que a Amazônia dispõe — inclusive do açaí, que gera muito mais dinheiro quando processado nos Estados Unidos do que aqui?

Ou devemos internacionalizá-la, como querem os governos norte-americanos há várias décadas? E deixar para os filhos deles os produtos que efetivamente serão utilizados na cura do câncer e da loucura.

*José Walmir é Mestre em Gestão & Liderança e Escritor.

**Os textos (artigos, crônicas) aqui publicados não refletem necessariamente a opinião da Div Agência de Comunicação – Portal do Minuto.

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