O ano de 2026 marca um ponto de inflexão na relação entre infância, adolescência e tecnologia. Um julgamento envolvendo a […]

(Imagem: Jill Connelly | Getty Images)

Mundo restringe telas entre jovens após alerta global sobre saúde, educação e redes sociais

O ano de 2026 marca um ponto de inflexão na relação entre infância, adolescência e tecnologia. Um julgamento envolvendo a Meta, realizado em Los Angeles, revelou que executivos da empresa teriam direcionado estratégias ao público com menos de 13 anos, visando garantir a fidelização e o lucro futuro.

Diante desse cenário, países e instituições passaram a tratar o design algorítmico como um possível risco à saúde pública. No Brasil, a Lei 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas, completa um ano com efeitos concretos. Dados da rede Marista indicam aumento de 68% no uso de pátios e quadras após a medida.

O impacto também foi observado nos hábitos acadêmicos e sociais. A frequência em bibliotecas cresceu 40% durante os intervalos, enquanto 72% dos estudantes afirmaram interagir mais com colegas. O desempenho escolar também entrou no centro do debate. Segundo o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), o uso frequente de celulares está associado à queda no rendimento e à dificuldade de concentração. O relatório aponta que 80% dos alunos admitem que notificações prejudicam o foco, tornando a distração digital uma das principais barreiras ao aprendizado.

A restrição já alcança o ensino superior. Instituições como o Insper e a ESPM, além de universidades internacionais, adotaram limitações ao uso de celulares em sala de aula, com o objetivo de melhorar a qualidade das discussões e o engajamento acadêmico.

Impactos na saúde acendem alerta

No campo da saúde, pesquisas reforçam a preocupação. Um estudo conduzido com crianças de 6 a 11 anos em São Paulo identificou que a obesidade infantil associada ao sedentarismo pode provocar danos vasculares precoces. O uso excessivo de telas contribui para a redução da atividade física e acelera processos ligados ao envelhecimento cardiovascular.

A Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que o tempo excessivo em dispositivos digitais está diretamente relacionado a problemas físicos, emocionais e comportamentais.

Pressão política e novas leis avançam

Como resposta, propostas legislativas buscam ampliar o controle sobre o acesso de jovens às redes sociais. No Brasil, o Projeto de Lei 309/2026, conhecido como “ECA Digital”, prevê restringir o uso dessas plataformas por menores de 16 anos e vincular contas à supervisão de responsáveis legais. O objetivo é reduzir a exposição digital de uma geração em que 86% dos jovens já possuem perfis ativos.

No cenário internacional, a Austrália lidera o movimento após desativar milhões de contas de adolescentes em dezembro de 2025. A iniciativa é vista como referência para outros países que avaliam medidas semelhantes.

A França também discute restrições mais rígidas. No país, 93% dos alunos do ensino fundamental utilizam redes sociais, o que acelerou o debate sobre regulamentação.

Big Techs enfrentam pressão judicial

O avanço das restrições ocorre em meio ao aumento da pressão judicial sobre as gigantes da tecnologia. Atualmente, empresas do setor enfrentam mais de 1.600 processos em diferentes países, com acusações de utilizar mecanismos considerados predatórios, como o scroll infinito e sistemas de recompensa digital que estimulam o uso contínuo.

O movimento global indica uma mudança significativa na forma como governos, escolas e famílias lidam com o uso da tecnologia, com foco na proteção da saúde, do desenvolvimento e da aprendizagem das novas gerações.

(*)Baseado em publicação do portal The News.

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