Série Amazônia Viva Nos rios sinuosos da Amazônia, entre igarapés e áreas alagadas, um predador ágil e barulhento chama atenção […]

Gigante dos rios amazônicos, ariranha simboliza equilíbrio e resistência na floresta
Série Amazônia Viva
Nos rios sinuosos da Amazônia, entre igarapés e áreas alagadas, um predador ágil e barulhento chama atenção pela organização social e pela imponência: a ariranha (Pteronura brasiliensis). Maior lontra do mundo, o animal é considerado um dos principais símbolos da vida que pulsa nas águas da floresta — e também um alerta sobre os impactos ambientais que ameaçam a região.
Com até 1,8 metro de comprimento e mais de 30 quilos, a ariranha é conhecida como “onça-d’água” ou “lobo-do-rio”. O corpo alongado e hidrodinâmico, a pelagem marrom-escura impermeável e a cauda achatada garantem velocidade e precisão na caça. No pescoço, manchas claras formam desenhos únicos em cada indivíduo — uma espécie de identidade natural.
Predadora estratégica e altamente sociável
Diferentemente de outros mamíferos aquáticos mais discretos, a ariranha é diurna e vive em grupos familiares que podem reunir até dez indivíduos. A comunicação é intensa: vocalizações variadas ajudam na coordenação da caça, na proteção do território e na interação entre os membros do grupo.
A alimentação é baseada principalmente em peixes, como piranhas e tucunarés. A caça coletiva aumenta a eficiência e pode render até quatro quilos de peixe por dia para cada adulto. As tocas são escavadas nas margens dos rios, onde nascem e são criados os filhotes sob cuidado compartilhado.

Indicadora da saúde dos rios
No topo da cadeia alimentar aquática, a ariranha exerce papel fundamental no equilíbrio ecológico. Ao regular populações de peixes, contribui para a estabilidade dos ecossistemas.
Especialistas apontam que a presença da espécie é sinal de rios preservados, com boa oferta de alimento e qualidade da água. Onde há ariranhas, há vida em equilíbrio.
Da caça intensa ao risco de extinção
A história recente da espécie, no entanto, é marcada por forte pressão humana. Entre as décadas de 1950 e 1960, a ariranha foi amplamente caçada devido ao alto valor comercial de sua pele, o que levou a um declínio populacional significativo.
Atualmente, é considerada Em Perigo de extinção. Entre as principais ameaças estão o desmatamento das margens dos rios, a contaminação por mercúrio proveniente do garimpo ilegal, a construção de hidrelétricas e conflitos com atividades pesqueiras.

Embora áreas protegidas e ações de fiscalização tenham favorecido a recuperação em algumas regiões, a conservação da espécie ainda depende do fortalecimento de políticas ambientais e da preservação dos recursos hídricos amazônicos.
Mais que um símbolo
A ariranha representa mais do que um animal carismático. Ela é parte essencial da engrenagem que mantém os rios amazônicos saudáveis. Sua sobrevivência está diretamente ligada à proteção da floresta e das comunidades que dela dependem.
Na série Amazônia Viva, a história da ariranha reforça uma mensagem clara: preservar a biodiversidade é garantir o futuro da própria Amazônia — e, consequentemente, do planeta.
