No coração da maior floresta tropical do planeta, uma árvore monumental sustenta comunidades, movimenta a economia regional e desempenha papel […]

Castanha-do-Pará: o ouro da floresta que sustenta vidas e mantém a Amazônia em pé
No coração da maior floresta tropical do planeta, uma árvore monumental sustenta comunidades, movimenta a economia regional e desempenha papel estratégico na manutenção da biodiversidade. A castanha-do-Pará — também conhecida como castanha-do-brasil — é muito mais do que um alimento apreciado no mundo inteiro: é símbolo de equilíbrio ecológico e de um modelo de desenvolvimento que mantém a floresta em pé.
Gigante amazônica e potência nutricional
A castanha-do-Pará é fruto da Bertholletia excelsa, uma das árvores mais imponentes da Amazônia. A castanheira pode atingir até 50 metros de altura e viver por mais de cinco séculos. Seus frutos, arredondados e de casca extremamente dura, podem pesar mais de um quilo e abrigam entre 10 e 25 sementes — as castanhas comercializadas no Brasil e no exterior.
Do ponto de vista nutricional, o alimento é reconhecido por sua alta concentração de selênio, mineral com ação antioxidante importante para o sistema imunológico. Também é fonte de proteínas, gorduras insaturadas, fibras, magnésio e vitamina E. Pesquisas indicam que o consumo moderado pode contribuir para a saúde cardiovascular e para a redução de processos inflamatórios.
Uma engrenagem ecológica sofisticada
A reprodução da castanheira depende de um complexo sistema natural. A polinização só ocorre graças a abelhas de grande porte, capazes de acessar suas flores resistentes. Sem esses polinizadores específicos, a árvore não produz frutos.
A dispersão das sementes, por sua vez, é realizada principalmente por cutias, roedores típicos da Amazônia. Elas roem o fruto lenhoso, enterram parte das castanhas para consumo posterior e, ao esquecer algumas delas, acabam contribuindo para o surgimento de novas árvores.
Esse ciclo evidencia como a espécie está profundamente integrada à dinâmica da floresta, dependendo da preservação de múltiplos organismos para se perpetuar.

Curiosidades e relevância econômica
Apesar do nome, a Bolívia disputa com o Brasil a liderança na exportação mundial da castanha. A produção brasileira concentra-se sobretudo nos estados do Amazonas, Acre, Amapá, Pará e Rondônia.
O corte da castanheira é proibido por lei no Brasil, devido à sua importância ecológica e socioeconômica. A maior parte da produção ocorre por meio do extrativismo, modelo que valoriza a coleta tradicional dos frutos sem derrubar a árvore.
A árvore leva, em média, de 12 a 15 anos para começar a produzir frutos, podendo atingir plena produtividade apenas após décadas — o que reforça a necessidade de planejamento e conservação de longo prazo.
Floresta em pé, renda garantida
A castanha-do-Pará é uma das principais bases da economia extrativista amazônica. Durante a safra, milhares de famílias coletam os frutos que caem naturalmente no solo da floresta.
Diferentemente de atividades associadas ao desmatamento, o extrativismo da castanha depende da preservação integral do ambiente. Onde há castanheiras produtivas, há floresta conservada. Por isso, especialistas consideram o produto um dos exemplos mais sólidos de bioeconomia amazônica — capaz de gerar renda mantendo o equilíbrio ambiental.

Desafios e conservação
Embora a espécie não esteja classificada como ameaçada em escala global, enfrenta riscos indiretos relacionados ao desmatamento, à fragmentação florestal, às mudanças climáticas e à redução de polinizadores.
A destruição do habitat compromete o ciclo ecológico que garante a produção de frutos. Sem floresta contínua, abelhas e dispersores naturais desaparecem, afetando a regeneração da espécie.
Iniciativas de manejo sustentável, certificação socioambiental e valorização do extrativismo tradicional são apontadas como caminhos fundamentais para assegurar o futuro da castanha e das comunidades que dependem dela.
Um símbolo da Amazônia viva
A castanha-do-Pará representa a possibilidade concreta de conciliar conservação e desenvolvimento. Cada fruto carrega não apenas valor nutricional, mas a história de uma floresta interdependente e de populações que aprenderam a extrair dela sustento sem destruí-la.
Preservar a Amazônia é também fortalecer cadeias produtivas sustentáveis como a da castanha — uma prova de que a floresta em pé continua sendo o maior patrimônio do Brasil e do planeta.

