Parintins – Na segunda noite do 58º Festival Folclórico de Parintins, o Boi Caprichoso encantou o público com um espetáculo […]

Caprichoso emociona com lenda do Sacaca Merandolino e exalta a ancestralidade negra e indígena na segunda noite do Festival
Parintins – Na segunda noite do 58º Festival Folclórico de Parintins, o Boi Caprichoso encantou o público com um espetáculo de força, tradição e resistência cultural. Com o subtema “Kizomba – Retomada Pela Tradição”, a agremiação azul e branca prestou uma homenagem comovente à ancestralidade negra amazônica, dando visibilidade aos quilombos, às memórias invisibilizadas e à contribuição dos povos africanos na formação do boi-bumbá.
O ponto alto da noite foi a apresentação da lenda amazônica do Sacaca Merandolino, curandeiro lendário que se transformava em serpente para proteger seu povo. A cena foi eternizada com alegorias vibrantes criadas por Alex Salvador, artista com 16 anos de atuação no galpão do boi. O momento mais marcante aconteceu quando a Rainha do Folclore, Cleise Simas, foi elevada aos céus pela figura mística do Merandolino, emocionando a arena.
A entrada triunfal do Caprichoso aconteceu no centro de uma estrela giratória com módulo aéreo, seguida pela Figura Típica Regional “Marandoeiros e Marandoeiras da Amazônia”, de Márcio Gonçalves e Nildo Costa, repleta de elementos da fauna regional com olhos iluminados por LEDs. O boto cor-de-rosa conduziu a Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, que se transformou em Vitória Régia e bailou em cena antes do surgimento do próprio boi na arena.
Outro momento grandioso foi a descida aérea da Porta-Estandarte Marcela Marialva, cercada por fogos de artifício, enquanto o apresentador Edmundo Oran guiava a narrativa da noite. A cantora Paula Gomes entoou um canto indígena e, em seguida, Patrick Araújo apresentou a toada “Kizomba – A Festa da Retomada”.
A Celebração Indígena levou os povos originários à arena com coreografias emocionantes e presença do Pajé Erick Beltrão. A Cunhã-Poranga, Marciele Albuquerque, resgatou rituais ancestrais em uma performance vibrante.
Encerrando a noite, o Ritual Indígena “Musudi Munduruku – A Retomada dos Espíritos”, com efeitos pirotécnicos, fumaça e mecânica de levitação, homenageou os guerreiros Munduruku e sua luta pela recuperação das urnas sagradas, as Itigãs. Com assinatura de Kennedy Prata e participação especial da Cunhã e de mulheres indígenas, o Caprichoso finalizou sua apresentação com a força espiritual da floresta em destaque.
(*) Com informações: A Crítica
