Ah, o Brasil! Terra do futebol, do churrasco, do samba… e agora, do tigrinho. Sim, galera, aquele joguinho que mais […]

Casa de apostas, foguete e tigrinho: o Brasil no topo da jogatina online
Ah, o Brasil! Terra do futebol, do churrasco, do samba… e agora, do tigrinho. Sim, galera, aquele joguinho que mais parece ter saído de um desenho animado, mas que, na verdade, é um aspirador de dinheiro mais potente que Black Friday com limite estourado.
Impulsionados por influenciadores e promessas de riqueza instantânea, milhões de brasileiros decidiram trocar o cofrinho pelo Pix e apostar tudo na roleta virtual. E olha que o Brasil não é fraco não: já lidera o ranking mundial de apostas online. Meus parabéns!
Entre janeiro e agosto de 2024, 24 milhões de brasileiros despejaram em média R$ 20,8 bilhões por mês nas plataformas de apostas — só via Pix. Sim, aquele mesmo Pix que era pra agilizar a vida virou o cupom de desconto pra bancarrota geral.
Agora segure essa: do Bolsa Família, que distribui R$ 14,1 bilhões mensais, R$ 3 bilhões foram direto para as bets. Ou seja, parte do dinheiro que deveria garantir o arroz com feijão foi parar no cassino online. O verdadeiro efeito dominó.
Não bastasse dominar o bolso da galera, as bets também invadiram o futebol. A Betano pagou de R$ 70 a R$ 80 milhões pra botar o nome na Série A. Flamengo? Levou R$ 105 milhões da Pixbet. Corinthians? Fez contrato de R$ 120 milhões com a VaideBet, mas pulou fora depois de uns rolos. “Vai, Corinthians” virou “corre, Corinthians”.
E o motor dessa máquina? Influenciadores, é claro! Aquele povo que vende desde café detox até ilusão em forma de aposta. A Virgínia, por exemplo, assinou um contrato polêmico com a Esportes da Sorte, levando 30% do que os seguidores dela perdem. Se você perder R$ 100, ela ganha R$ 30. Negócio de gênio!
Primeiro post dela? 120 mil novos apostadores. Resultado: contrato de R$ 29 milhões anuais com a Blaze. Blaze essa que não tem nada de discreta, diga-se de passagem.
Tem sim, mas só pra quem aposta. Com a regularização das bets, as empresas vão ter que pagar mais pra operar no Brasil, o que deve cortar o fluxo de dinheiro fácil pros influencers. Ou seja, o foguete pode até decolar, mas a gravidade das contas vai puxar pra baixo.
Então, da próxima vez que você ver um link de aposta com um “vem lucrar comigo”, lembra: quem tá lucrando mesmo é quem te colocou nessa.
O Brasil, que passa 9 horas e 13 minutos diários na internet, não perdoa. Já somos campeões mundiais em apostas online. Se valesse troféu, a estante estaria cheia.
No fim das contas, o verdadeiro “jogo” é descobrir quem está apostando e quem está ganhando.
*Sid Sheldowt é escritor, poeta e compositor
